sábado, 7 de dezembro de 2013

PAPULOSE LINFOMATÓIDE

A papulose linfomatóide foi descrita em 1968 como uma erupção cutânea crônica auto limitada, que apresenta  características histológicas compatíveis com linfoma T contrastando com o curso clínico benigno de suas lesões.  Inicialmente foi classificada como pseudolinfoma cutâneo T, hoje faz parte dos processos linfoproliferativos cutâneos primários T CD30+ de acordo com a classificação WHO/EORTC (2008). 



Os processos linfoproliferativos cutâneos primários  T CD30+, descritos no passado como “histiocitose atípica regressiva” ou “pseudo doença de Hodgkin”, são a segunda forma mais frequente de linfoma cutâneo T. Essas doenças representam 20-25% dos casos e compõem um grupo espectral definido pela sobreposição  das  características histológicas e imunofenotípicas. No qual a papulose linfomatóide estabelece um dos pólos estabelecidos  e o linfoma anaplásico cutâneo primário o outro, intermediados pelos casos considerados "borderlines”. 


São excluídas desse grupo as micoses fungóides transformadas que também são CD30+, linfomas anaplásicos ALK+ e outros processos CD30+ em linfomas de grandes células B ou T.
Não há um achado característico que distinga o linfoma anaplásico da papulose linfomatóide “clássica”, sendo fundamental a correlação anatomo-clínica. Justificando a classificação de alguns casos como “bordelines” por exibirem achados clinicos, histológicos e imunofenotípicos discrepantes. 
A expressão do CD30 não é o unico fator a considerar para se diferenciar doenças inflamatórias reacionais de processos linfoproliferativos T CD30+, principalmente em relação a algumas doenças infecciosas virais (sífilis, escabiose e micoses superficiais) e não infecciosas, Pitiriase liquenoide aguda (PLEVA), dermatite atópicas e reações a drogas.
O CD30 é um receptor que pertence à super família do fator de necrose tumoral, que foi descrito inicialmente na célula de Reed Stenberg do linfoma de Hodgkin e logo depois em outros linfomas não Hodgkin, como o linfoma anaplásico. Os processos cutâneos linfoproliferativos T CD30+ têm como característica fundamental a regressão parcial ou total das lesões. Sugere-se que o motivo seja a relação do CD30 e CD30-ligante com o controle da apoptose celular. 
A papulose linfomatóide ocorre mais em homens (2:1) na 5 década de vida, embora possa comprometer crianças e idosos. 
Clinicamente, caracteriza-se por uma erupção cutânea generalizada com numero variável (pode chegar a centenas) de pápulas ou pequenos nódulos eritematosos ou castanhos que geralmente tem crescimento rápido evoluem com hemorragia e necrose central. 
As lesões tem geralmente menos do que 1cm e curam espontaneamente após 3-4 semanas ou até poucos meses, deixando atrofia cicatricial. 
O aspecto clínico é polimórfico, pois há lesões em diferentes estágios evolutivos. 
As mucosas não costumam ser comprometidas. 
Alguns pacientes podem apresentar tumores maiores ulcerados, mas involuem assim como as outras apresentações e não representam uma sinalização de transformação da doença para um linfoma anaplásico.
Localizam-se no tronco e membros predominantemente, algumas variantes comprometem  regiões localizadas.
Entre outros diagnósticos diferenciais clínicos está a PLEVA.
Sabe-se que 10-20% desses pacientes tem associação de outro tipo de linfoma, mais frequente micose fungóide, linfoma de Hodgkin ou linfoma anaplásico entre outros. risco aumentado do desenvolvimento de neoplasias linfóides e não linfóides.

Os subtipos histológicos descritos, embora um único paciente possa apresentar mais de um subtipo de lesão durante o curso da doença.
Tipo A (tipo histiocítico): 75-80% dos casos infiltrado misto dérmico com neutrófilos, eosinófilos, plasmócitos e histiócitos, disposto "em cunha". As células CD30+ estão isoladas ou em pequenos agrupamentos, são grandes, pleomórficas, núcleo vesicular com nucléolo evidente e citoplasma amplo. Além de numerosas figuras de mitoses. Essas células podem ser multinucleadas, podendo parecer as células de Reed Stenberg. Epidermotropismo raro.
Tipo B (micose fungóide-like): 5-10% dos casos nos quais há predomínio de linfócitos pequenos e médios com núcleos irregulares e nucléolo aumentado. As células podem se distribuir em cunha ou ainda "em faixa” na derme superficial, há importante epidermotropismo, podendo simular o aspecto da  lesão em placa da micose fungóide. Embora que nesses casos não se veja microabscessos de Pautrier, halos e paliçada de linfócitos na junção dermo-epidérmica. 
Tipo C (linfoma anaplásico-like): 7-10% dos casos cujo infiltrado faz arranjo nodular, com agrupamentos de células parecidas com as visualizadas no subtipo A, permeados por células inflamatórias. O aspecto histológico pode ser idêntico ao visto nos linfomas anaplásicos e só o quadro clínico vai definir o diagnóstico.
Tipo D: descrito mais recentemente em que o processo mimetiza o linfoma cutâneo T   citotóxico epidermotropico (CD8+). 
Tipo E: forma angioinvasiva da papulose linfomatoide, que pode simular o linfoma T / linfoma extranodal NK. Histologicamente é constituída por linfócitos atípicos médios CD30+ e  geralmente CD8+, regride poucas semanas após o aparecimento da úlcera.
As células neoclássicas costumam marcar CD30+, alguns casos do subtipo B podem não marcar. Outros marcadores positivos são: CD2, CD3, CD5, CD45 e CD4. O CD8 é frequentemente negativo, assim como a marcação para CD56. 
Esses processos não expressam ALK.
A papulose linfomatóide tem etiologia indeterminada. Não está caracterizada alguma alteração genética específica ou associação com doenças inflamatórias ou virais. A maior parte tem rearranjo clonal do  receptor de células T (TCR). Estudos de células isoladas após a microdissecção mostraram que as células atípicas CD30+ tem origem cloral comum.
Por se tratar de uma doença auto limitada, não há tratamento específico. A terapia é direcionada para o controle dos sintomas. São usados corticóides sistêmicos, psoraleno com UVA (PUVA), interferon- alfa 2a, interferon - gama e retinóides. Alguns pacientes se beneficiam com metotrexate. 
Não há tratamento que previna o aparecimento do segundo linfoma.


O prognóstico desses pacientes é excelente, entretanto alguns pacientes podem apresentar recorrência das lesões. Mas não há mortalidade pela doença, sendo a sobreviva de 100% em 5 anos. Embora devam continuar o acompanhamento médico, pois não há critérios histológicos, clínicos, imunohistoquímicos ou moleculares que determinem quais os pacientes que evoluirão com um linfoma mais agressivo.

sexta-feira, 1 de março de 2013

QUAL SEU DIAGNÓSTICO?

PARA MEUS CONHECIDOS, HOJE É ANIVERSÁRIO DO THEO, 4 ANINHOS!
EM HOMENAGEM A ESSA DATA TÃO ESPECIAL, A FRASE "BOLO DO THEO" É A DICA DESSA LESÃO.
PARA AOS QUE NÃO ME CONHECEM OU A MEUS FILHOS PESSOALMENTE, A DICA É LESÃO HAMARTOMATOSA COMPOSTA POR EPIDERME HIPERPLÁSICA E ANEXOS RUDIMENTARES NA DERME.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

QUAL SEU DIAGNÓSTICO?

UMA SENHORA VEM À CONSULTA COM UMA PÁPULA NA FACE COM UM ORIFÍCIO CENTRAL. RELATA A SAÍDA DE PELOS BRANCOS E FINOS.
A IMAGEM HISTOLÓGICA DESSE TUMOR ESTÁ REPRESENTADA ABAIXO.


FOTO CEDIDA GENTILMENTE PELO COLEGA VICTOR ANTUNES

FOTO CEDIDA GENTILMENTE PELO COLEGA VICTOR ANTUNES

sábado, 23 de fevereiro de 2013

QUAL SEU DIAGNÓSTICO?

LESÃO DESCAMATIVA NA MAMA DE UMA MULHER  DE 50 ANOS


SUGIRA DOIS EXAMES POR MÉTODOS COMPLEMENTARES PARA CONFIRMAR SEU DIAGNÓSTICO.